sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Mais um conto de Natal



Eu tinha minhas próprias convicções sobre o natal e algumas delas me diziam que eu não gostava mesmo dessa data. Talvez fosse o fato de apenas nessa data toda a cidade resolvesse ser boazinha com os órfãos da cidade, inclusive a mim. Era hipocrisia demais. Ou fosse o fato que foi num natal que me apaixonei por Mary Elisabeth Rosen.

Ela era a personificação da noite e do meu medo. Olhos brilhantes como uma estrela e os cabelos tão negros como a noite mais escura do planeta. Meu medo maior era sua riqueza que me afastava dela embora tivéssemos corrido pelo orfanato inteiro rindo naquele dia 25, como se ela fosse uma de nós. Ela era tão rica que acho que suas doações mensais poderiam manter nosso orfanato vivo sem esforço nenhum. Eu havia tomado ódio por aquela data onde ela sorriu e me beijou na bochecha dizendo que nunca me esqueceria enquanto corria pro pai que a esperava na porta da limusine. E ela partiu me deixando ali sozinho, odiando o calor do beijo dela e os flocos de neve que sempre se amontoavam naquela data.

Anos depois eu estava nessa cidade, de volta ao que seria meu lar. Agora um recém formado operador de sistemas com um emprego na Apple e um velho suéter usado e remendado de estimação. Presente de alguém que nunca soube quem era. Ando de bicicleta pela rua que já acumula alguns centímetros de neve, embora não esteja nevando agora, enquanto me dirijo a ultima entrega do dia. Falta cerca de uma hora para meia noite e estou levando alguns doces, queijos, uvas e vinho para a casa no fim da Rua Alfred. Estava quebrando um galho pro velho John dono da mercearia da cidade e aproveitando e revendo alguns amigos antigos. Depois dessa encomenda voltaria ao orfanato onde brincaria com as crianças e seus presentes recém abertos, passaria mais uns dias na cidade e iria embora para sempre dali. Esse era o plano. Mas ele não funcionaria, eu percebi isso na hora que abri o portão do endereço e vi escrito Rosen na caixinha do correio.

- Ela não está em casa. Ela não está em casa. Ela não está em casa. Ela não está em casa. Ela não está em casa. – eu falava baixo sabendo que rever meu amor de infância acabaria com meus planos de esquecer a cidade. Mas ela estava.

Abriu a porta usando meias pretas escuras, sapatilha, uma combinação de saia com pregas e uma blusa vermelha, além do gorro de papai Noel. O cabelo negro estava curto agora e em cachos, mas os olhos brilharam quando abriram a porta.

- Jeremy? – ela falou abrindo completamente a porta. – Pelas renas do papai Noel! Jeremy Wenber!
Eu não sabia que reação era aquela, na verdade não entendi se era uma pegadinha até que ela pulou em mim, me agarrando pelo pescoço, me fazendo absorver seu perfume de forma rápida e inesperada me inebriando completamente. Até que acordei do susto e pude abraça-la já que ela permanecia ali, como se sentisse minha falta.

- Jeremy! Por onde você andou? – ela falou me soltando e me olhando. – Cheguei na cidade e fui te procurar e todos falaram que você tinha sumido no mundo! Entra, entra!

Ela tirou as sacolas da minha mão, colocou no chão e correu para guardar a bicicleta na varanda, fechou o portão, pegou as sacolas e foi me empurrando para dentro da casa dela sorrindo, enquanto perguntava da minha vida. Havia barulho ali mais a frente, mas fui direcionado a cozinha dela onde ela começou a guardar as coisas enquanto continuava com o questionário sobre a minha vida.

- E você? – eu perguntei quando ela guardou tudo e parou sentando-se a minha frente em cima da bancada.
- Sou formada em administração, acredita? Sou eu que gerencio as doações pro orfanato e os ajudo nas contas, mesmo a distância. Acho que fazer contas em papel e lápis com meu pai acabou me agradando mesmo. Tenho uma tatuagem em homenagem a Back to The Future e vou trabalhar em NY quando o ano novo começar. Sem namorados, sem carro, sem drogas e ainda planejando visitar as pirâmides do Egito. – ela falou dando de ombros.

- Você não mudou muito então... – eu falei percebendo que embaixo daquela garota com roupas de marca e um olhar de quem sabia o que estava fazendo ainda havia aquela garota que se encantava com flocos de neve.

E aquilo doeu bastante, como se tivessem furado meu coração com mil agulhas grossas e de ponta afiada. Eu ainda amava-a, com todas as forças que meu coração podia ter. Ela era a razão de eu querer ser o melhor em qualquer coisa para poder bater na porta do pai dela e dizer que eu podia dar um futuro pra ela, mas isso era bobagem. Eu nunca cheguei a falar com o pai dela de fato. Não até ele entrar na cozinha.
Ele parou o que estava fazendo e me olhou, reparou no meu suéter velho e desbotado e sorriu. Sorriu de verdade.

- Garoto eu nunca esqueço um rosto, e por incrível que parece nunca esqueço uma roupa também. Principalmente quando ela foi minha. – ele fez um carinho em Mary Elisabeth que sorriu feliz. – Esse suéter era meu, sempre gostei dele. O doei há anos atrás para o orfanato da cidade quando minha barriga simplesmente não entrava nele. – ele apontou pra barriga que estava grande e riu.
Acabei rindo também, algo que me pareceu estranho depois que o fiz.

- Rosen pai. – ele falou. – Mas todos me chama de Wilbert, o barrigudo.

- Jeremy Wenber, antigo morador do orfanato e agora indo morar em NY. – eu falei.
- Calma garoto. – ele disse. – Não estamos o acusando aqui e nem querendo saber se cresceu na vida, todos sabem disso. Mary daqui a pouco vai te chamar de Bruce Wayne, o órfão prodígio de Gothan City. – ele falou fazendo Mary Elisabeth ficar vermelha. - Fica pro jantar, sua companhia vai ser muito agradável.

As palavras dele foram carinhosas e eu fiquei confuso me perguntando se o mundo estava de cabeça pra baixo. Um garoto entrou correndo e pulou no colo do pai de Mary fazendo ele sorrir ainda mais. Ele era negro, magro e com olhos claros. Com certeza não era um Rosen de sangue. Ele me olhou por cima do ombro dele, olhou pra Elisabeth e depois fechou a cara.

- Papai, papai? Porque Mary Elisabeth está namorando na cozinha? – ele disse.

Papai? Eu me perguntei confuso.

- Não estou namorando na cozinha George. – Mary disse, mas piscou pra mim.

- PAI! Ela piscou pra ele! Eu vi! – ele falou jogando suas perninhas no chão, descendo e puxando uma cadeira onde subiu para ficar na minha altura. – Eu sei o que você está pensando. Só porque sou adotado e novato nessa família não quer dizer que não possa agir como irmão da Mary. Não quero beijos na sala, ficar de mãos dadas é permitido e nada de ficarem sozinhos. – ele desceu da cadeira e foi puxando o pai dele para a sala. – Estou de olho em você moleque de olhos azuis.


- Jeremy, esse foi meu irmão George. Meu pai o adotou há uns nove meses e ele já manda mais aqui do que Peter. – ela disse descendo da bancada onde estava sentada.
- Quem é Peter?

- Peter é meu irmão mais velho, também adotado. Agora fora ele que está na sala com todos, você só não conhece o cachorro Magrelo do George, um vira lata preguiçoso e brincalhão. – ela disse se aproximando de mim.

Eu sorri pensando em como a família Rosen era diferente do que eu imaginava. Não havia nada de preconceitos neles ou egoísmo. Era uma família bem mista e divertida eu deduzi ouvindo os latidos de Magrelo na sala e as risadas que estavam sempre ao fundo. Virei meus olhos para comentar algo, mas Mary Elisabeth estava na minha frente parada.

- O que foi? – eu perguntei confuso.

- Nada, apenas senti sua falta. – ela falou coçando o braço.

- Também senti sua falta. – eu falei admitindo a verdade após anos. – Se você não estiver muito ocupada por NY podemos sair e conversar, não conheço ninguém na cidade.

Ela deu um sorriso enorme, como se de repente tivesse percebido que havia ganhado o melhor presente de Natal da vida.

- Papai mandou dizer que vai servir a ceia. – George falou entrando na sala com seus olhos acusadores por eu estar supostamente namorando a irmã dele.

- Certo. – eu falei seguido por Mary Elisabeth.

Entramos na sala onde Mary me apresentou a todos os presentes ali: mãe, avós, tios, primos e alguns vizinhos. Havia sem sombra de duvida umas trinta pessoas ali, espalhadas em mesas menores até que nos sentamos na mesa central onde fiquei do lado do irmão dela, o Peter que me elogiou por ter um colar de O Senhor dos Anéis. Era surreal estar ali, como se eu fizesse parte daquela família. Fiquei pensando naquilo por alguns segundos até que Mary Elisabeth apertou minha mão por baixo da mesa dizendo que eu tinha que fazer um pequeno agradecimento antes de comermos.

- Eu queria agradecer a vida que foi bastante dura comiga me fazendo apreciar e reconhecer muitos valores e acima de tudo a admitir quando estava errado num conceito. – eu falei conseguindo a atenção de todos ali, mesmo sem querer. – E a Mary Elisabeth que com apenas um sorriso me fez acreditar na magia do natal...

- Eu não disse que eles estavam namorando! – George acusou-me na mesa das crianças fazendo todos me olharem e então começarem a rir.

Eu olhei pro lado, onde Mary Elisabeth ainda segurava minha mão por baixo da mesa, com as bochechas em fogo, mas sorrindo. Soube naquele momento que natal era mais do que presentes e doações a orfanatos, era agradecer a todos as coisas boas que tínhamos na vida. Podia ser ela que havia feito eu perceber isso naquele momento,não importava tanto.

Pela primeira vez na vida eu disse Feliz Natal desejando que ele fosse bom de verdade. E sabia que estava sendo...

Feliz Natal a você que passou por aqui <3



sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Então me liga mesmo, hein?



Acho inusitado como Call me Maybe de Carly Rae Jepsen tornou-se um hino para algumas pessoas. O clipe da garota corajosa que entrega seu numero de telefone para um garoto é o desejo mais secreto de muitas meninas, aquelas que ficam sentadas olhando o garoto dos sonhos dela enquanto ele passa e nem dizem oi. Compreensivo esse momento em que estacamos e nem sabemos por que. Timidez deveria ser proibida em alguns casos.

Não sou tímida, acho que nunca fui. Culpem meu lado geminiano sem erro ou a mania de enturmar com as pessoas. Não sei. Mas ao menos alguma vez, ou melhor, nesse momento eu gostaria de ser a garota que em vez de dar o numero de celular receberia o dele num papel com letra tremida de nervosismo. Ou que me pararia no meio da fila do McDonalds para pedir meu numero. É essa pessoa que procuro.

Se tenho problema com garotas que tomam as atitudes? JAMAIS! Sou até uma dessas. Mas nesse momento onde o romantismo me cerca de formas tão diferentes me vejo pensando e imaginado o dia em o garoto que puxou papo comigo enquanto íamos beber água me encontra na rua e pede alguma rede social minha. Ou até mesmo naquele carinha que sempre vejo quando chego em casa, bem que ele podia descer do carro e dessa vez perguntar o que eu sempre faço na porta da minha casa depois das 22h. E cabum! Eu poderia dizer ao mundo que estaria mais feliz se ele ou algum deles tomassem essa atitude.

Talvez nessa época em que a mulher é tão decidida o homem acabe hesitando e fique esperando ser chamado para sair. Saudades daquele tempo em que não vivi em que ele tremeria tanto ao te chamar pra sair que você já teria vontade de beijá-lo ali mesmo, só pelo nervosismo dele ser charmoso. E que acabaria pegando a sua roupa mais feminina do guarda-roupa só pra ele ver que você seria uma boa garota.

Deve ser por isso que gosto tanto de Grease. Tá, admito que ainda comprarei uma jaqueta de couro escrita T Birds e sairei por ai desfilando com ela e sendo muito mais do que feliz enquanto canto ‘Greased Lighting’ no meu carro. Mas fora meus devaneios de querer ser menino, gosto particularmente de Sandy usando um collant preto e um cigarro nos dedos, mostrando que pode ser muito mais que aquela garota boazinha. Pode ser uma Sandy má, ou melhor, uma Sandy poderosa.

Digam olá para a Sandy Poderosa, é o que penso quando ela entra em cena pronta para brilhar. Observo seu cabelo, seu sorriso e seu rebolado sensual e me visualizo ali, no corpo dela. É uma sensação maravilhosa a desse momento e é nela que penso toda vez que ouço You’re The One That I Want: nessa Sandy poderosa e no que ela sente. Sabe garoto, eu sou um pouco da Sandy boazinha, mas também sou um pouco de Sandy poderosa...

Queria mesmo que fosse assim: quando eu não estivesse esperando eu fosse surpreendida com um pedido de encontro ou uma solicitação numa rede social e até mesmo uma menção inusitada. Pode rir, você acaba de descobrir que sou um pouco romântica. Queria que se repetisse mais momentos como aquele numa terça onde me contorcia de cólica e ganhei uma pastilha de menta pra sorrir. O gesto foi tão inusitado pra mim que acabei escrevendo ‘obrigada’ na folha de papel dele, e ele escreveu ‘de nada’ na minha. Fiquei ali parada por alguns segundos observando o detalhe da cena, a cor do olho dele e o tamanho do cílio, naquele desejo súbito de ser feliz e sabendo que tinha conseguido.

Então, vamos fazer um acordo. Deixa o tempo levar o que tem de bom pro meu mar de sonhos e caso eu tenha meu numero de telefone solicitado por um desconhecido espero que ele ligue, mas ligue mesmo. Porque vai que desisto de ser a Sandy boazinha e resolvo ser a outra Sandy? Porque você sabe que não posso ter te escolhido pra ser meu John Travolta do dia...


Para ouvir do que estou falando:

:)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Amou antes de tudo




Ele gostou dela no primeiro momento em que a viu. Naquela festa que ele foi convidado pelo melhor amigo e que uns meses depois ele acabaria beijando-a. Ele gostou dela mesmo quando o melhor amigo falou que pensava nela, embora tivesse partido e nunca mais voltaria. E ele continuou gostando dela mesmo quando ela se envolveu com outro garoto, mesmo quando ela começou a gostar de alguém e esse alguém não retribuiu.

Não hesitou em chamá-la para uma festa mesmo sabendo que ele seria a sua única companhia já que ela não podia levar ninguém e ficou satisfeito quando ela aceitou. Ficou feliz quando ela apareceu na porta da casa dela usando rabo de cavalo e sapatilha, mesmo assim estava mais linda do que todas aquelas outras garotas de salto e vestido colado.

Estranhou quando ela sumiu e ficou confuso quando a encontrou sentada no sótão da festa folheando um livro antigo. Sorriu quando ela sorriu pra ele sentar-se ao lado dela. E agradeceu aos céus quando ele teve coragem de beijá-la e ela não se esquivou.

Mas ele a queria, embora soubesse que ela hesitava quando o assunto era ele. E ele a fez desejá-lo antes mesmo de colocar sua língua em lugares nunca visitados e um pouco antes deles serem um. Ele segurou seu rosto antes de encontrar o paraíso e disse que a amava. Não pode ver a sua reação, pois fugiram de mãos dadas e cúmplices quando alguém apareceu procurando-os pelo sótão. Subiram para o telhado e ele teve vontade de segurar sua mão. Mas ela as mantinha nos braços, os aquecendo. E então vestiu sua jaqueta colegial nela, embora nunca tivesse sido um astro de futebol americano na escola.

Ela foi embora, deixando ele ali sozinho sem saber se mandava uma sms ou ligava no dia seguinte. Passou uma semana até ter coragem de ir encontrar ela numa livraria com os amigos. Ficou vermelho de fúria quando a viu nos braços de outro cara, mas ficou vermelho de vergonha quando ela o apresentou ao irmão dela.

Pensou em segurar as mãos dela enquanto ficava ao lado dela e dos amigos barulhentos, mas ficou satisfeito quando ela apoiou sua cabeça no ombro dele. E ganhou o dia quando na encenação de teatro eles se beijaram. E sorriu quando ganho o livro no sorteio e percebeu que amava-a de verdade quando ela o beijou após ter ganhado o livro de presente dele.

Vestiu a jaqueta de couro nela, percebendo que mesmo folgada a deixava incrivelmente sexy. A beijou novamente na frente dos amigos dela enquanto levava na brincadeira as piadas deles. Foram para a casa dela juntos, conversando sobre coisas diversas e a deixar descer na parada da casa dela sozinha foi a coisa mais difícil daquele dia.

Mas teve os outros dias. Quando os amigos dela viraram seus amigos. Quando ela tornou-se a garota dele naquele pedido de namoro no meio de um parque. Quando os pais dele aprovaram-na e quando ele tremia tanto que derramou suco no chão da casa dela fazendo o pai dela ter uma impressão errada e a mãe dela ter que se ajoelhar e limpar o chão. Mas descobriu que na verdade foi o irmão dela que moldou o gosto musical dela, assim como o gosto para filmes. E na terceira vez que foi visitá-la ficou feliz por poder dormir lá caso fosse preciso. Negou o convite e voltou pra casa de táxi, sabendo que os cinquenta reais gastos tinha valido pontos com o pai dela.

Ela nunca disse que o amava. Nem quando ele a acompanhou ao show da banda preferida dela e ele teve que ouvir por duas horas o nome de outro cara saindo da boca dela seguido com as palavras ‘te amo’. Não se incomodou quando ela viajou sozinha com novos amigos e nem se importou muito quando ela pediu um tempo.

Sofreu sozinho. Mas quando ela voltou, ela estava completa. Fizeram amor com calma, como deveria ter sido desde a primeira vez. Mas dessa vez foi ela que segurou o rosto dele e disse que o amava. E ele se sentiu completo e infinito. Conseguia ver ambos juntos em todos os lados e assim foi e assim seria se ele tivesse tido coragem para chama-la para aquela festa. Mas ele não teve. E ela acabou casando com outra pessoa, embora ele fosse a pessoa certa pra ela.

Canal 12



Chego atrasada ao encontro. Ainda uso minha roupa de trabalho ou minha fantasia de pessoa trabalhadora para meus pais. Podia ser uma heroína tentando manter o status de família ou a falsa identidade de ser feliz. Não importa, já que não queria salvar o mundo. Nunca quis ser heroína.

- Desculpa a demora. – eu falo.
- Tudo bem. – você afirma.

E revira os olhos de forma graciosa, doce e amável. Eu havia comentado que você era gentil, alguém concordou. Só não me lembrava quem...

Assim como não lembrava como viemos parar nesse café. Eu sabia da sua historia, dos seus amores, dos seus flertes e de alguns erros. Você me conhecia pelos amores que nunca adoçam meu café. Mas também teve vontade de falar sobre sua dor com alguém e eu fui o alvo. Digo alvo, pois sabia que no fim daquela conversa teria tantas coisas atiradas na minha direção e com tantos buracos, que só me restaria fumar um cigarro e soltar a fumaça pelos buracos que você reabriu.

- Não fume! – eu peço suplicante. Não quero que comecem um vício a mais por minha causa.

Desvio a atenção de ti para um dos meus ex-amores que passam a minha volta. O seu segue logo atrás e juntamos nossas mãos para podermos não cairmos pelo caminho. Essa foi a desculpa do nosso primeiro encontro, mas agora pela quarta vez que te vejo, essa desculpa não serve mais.

Sabe aquele ex-amor que passa ali? Eu sei muito mais sobre você do que ele. Digo isso já que mudei os canais para não encontrar alguém neles, mas agora aquele canal que ninguém na minha casa assiste é o que mais me lembra você.

Talvez se você fosse canal 8 ou canal 10, meus pais te aceitariam. Mas canal 12 sempre foi tabu lá em casa...

Sinto sua cabeça em meu peito, pensando que se nada der certo a quem vai ligar? A quem gritará pedindo socorro? E eu? Serei a pessoa da ligação? Sinto um desejo súbito de ser essa pessoa, mas ao mesmo tempo tenho medo.

Chego à minha casa e tiro minha máscara e fantasia de super herói. Me visto de jeans e camisa folgada. Espero todos dormirem para assistir TV.

Me perco no canal 12, no fundo querendo me perder em você...

03.11.2012 – Domingo, escrito durante o primeiro dia de provas do ENEM
Inspirada na musica Canal 12 - Esteban

Simples Desconhecido


Odeio a droga desse metro que me sacoleja de um lado para outro, não me permitindo ficar em pé direito ou ler alguma coisa. Resta-me apenas a opção de ouvir musica no aleatório sem nem poder pular alguma ou repetir, já que colocar as mãos no bolso é missão impossível!  Fico tendo esse tipo de pensamento aleatório até que a porta abre e mais umas dez pessoas entram, incluindo você.

Fico confusa por alguns segundos tentando lembra se te conheço de algum lugar, mas sabendo que no fundo já nasceu aquela vontade louca de fazer amizade com você. Mais um desconhecido na rua que tenho vontade de saber se ouve pop ou rock. Se ama Beatles ou Rolling Stones. Fico ali no metro olhando pra você por cima do tio de terno ou entre a cabeleireira da rua de baixo e o menino da padaria que me dá uma cantada quase todo dia.

Espero ansiosa todo dia a estação em que você entra e tento absorver os detalhes que vejo. Um dia de terno lindamente encantador e charmoso que me fez passar o dia todo no trabalho distraída. Outro dia de chinelo e camiseta regata, alternando poucas camisetas de banda e outras  camisas polo. Usando jeans skinner ou calça reta. Sapatênis e nunca tênis de mola. Fico ali na espreita observando e pensando pra onde você vai todas as manhãs e de onde vem no fim da tarde.

Perder o horário do metro é uma tortura pra mim. Fico de mal humor o dia todo e até meu namorado percebe isso. Coitado, eu penso. Não o traio em pensamentos, mas ele nunca entenderá que eu apenas quero saber quem é esse simples desconhecido que me chama tanto a atenção. Que me faz pensar em conspirações e sorrir ao ver outra pessoa com uma blusa que nem a dele. Meu namorado me manda sms de bom dia enquanto estou no metro indo pro trabalho e respondo sorridente até que um cheiro muito bom me desperta a curiosidade.

“Ei você, seu simples desconhecido. Não ande tão depressa, eu quero sentir seu cheiro mais de perto. Pra poder embalar mais uma porção de memórias bobas sobre você...”  Mas o metro é apertado e o máximo que consigo é ter uma muralha formada por cinco pessoas a nos separar. Suspiro alto percebendo que já perdi a essência do cheiro, o aroma que ficou no ar foi misturado a de outras pessoas. Se perdeu assim como perdi a estação que deveria descer e cheguei atrasada no trabalho.

Mudei a cor do cabelo. Mudei de emprego. Mantive o namorado. Fiquei noiva e quase não ando mais de metro. Dois anos sem lembrar do seu cheiro, sem pensar nessas memórias bobas...

Pego o metro vazio de noite, o ultimo em fato. Volto com uma bolsa na mão e na outra uma caixinha com os doces do casamento. Penso ainda se devo usar véu ou não até que alguém entra e reconheço o cheiro. Paraliso.

Percebo que era meu doce e simples desconhecido. Acompanhado de uma garota com olhos vermelhos. Ela chora e ele apenas nega com a cabeça. Ela não olha pra mim, mas ele sim. Há aquele segundo de reconhecimento onde mil memórias se passam pela minha cabeça e pelo brilho no seu olhar percebo que também passam mil recordações na sua cabeça. A garota desce, ele acena pra ela que não vê e depois que se senta fica me olhando assim que a porta se fecha. Há apenas nos dois ali, sentados um de cada lado do vagão nos olhando.

Você sorri e tive que sorri de volta, percebendo em como seu sorriso é lindo. Você se senta ao meu lado e vamos conversando sobre o tempo, sobre a garota que chorava, sobre a propaganda no telão do show que é mostrada naquele instante até que descemos na estação. Há borboletas na minha barriga nesse instante, batendo asas um pouco por ter compartilhado uma piada besta sobre política e um pouco sobre meu noivo que me espera na estação usando meus fones de ouvido amarelos. Ele se aproxima de mim, você estende a mão e diz pra ele cuidar de mim. Ele sorri sem graça e me abraça falando que vai tomar conta de mim direitinho. Ele comenta que estamos noivos e me faz mostrar a aliança na mão. Você havia reparado, mas diz que sou lerda e nem comento as coisas. Ambos riem. Percebo que estive apaixonada por você todos esses anos e nem sabia.

Era paixão, encantamento bobo mesmo sem nunca ter visto um sorriso seu de fato. E agora ali você sorrindo eu percebo que na minha volta está os dois grandes amores da minha vida e sem perceber sorrio fascinada. Você se despede de mim me dando um abraço longo e marcante. O primeiro e o ultimo. Sai andando sem olhar pra trás e eu fico ali parada ainda sentindo o calor do seu abraço.

Meu futuro marido fala que gostou de você. Não pergunta seu nome e eu agradeço por isso porque não saberia responder. Naquele noite, cinco segundos antes de dormir eu penso em você e agradeço por nunca ter tido coragem de ao menos perguntar seu nome. Você foi mais marcante assim, como um desconhecido.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Doses homeopáticas de torta de amora



Possível continuação de: "Dedos nervosos" ou o fim dele...

Não preciso de doses homeopáticas de uma torta de amora. Eu preciso de uma torta inteira. Daquelas grandes e suculentas que eu encontrei na geladeira ou na padaria da quadra ao lado. Irei devorá-la por inteiro, comê-la sem culpa para no fim ficar saciada. Foda-se a dor de barriga depois. Foda-se os kilos a mais que ganharei. Nesse momento quero apenas te devorar por inteiro.

...

Não há torta de amora na minha geladeira. Não há torta de amora em nenhuma padaria perto de onde moro. Encontro amora na calçada perto da via de carros. Elas são grandes e suculentas, mas infectadas pela fumaça dos carros. Desisti da torta. Desisti de amora naquele dia.

...

Quer saber? Vou comer aquele saco de jabuticaba que ganhei do meu pai no domingo. E termino minha terça mais feliz do que fui dormir na segunda porque como diz aquele velho ditado nunca escrito: “não se pode perder duas noites de sono pelo mesmo motivo bobo”, aliás, amora nunca foi minha fruta preferida mesmo.

Fim da torta de amora que não como mais.

Dedos nervosos



- O que você está pensando? – ele perguntou se aproximando de mim e me olhando confuso.

Estava sentada embaixo de uma arvore. Eram cerca de 3h da manhã e a festa estava rolando solta pela casa. Eu o olhei de baixo pra cima, reparando em como ele ficava bonito de camisa xadrez azul e a barba nascendo.

- Muitas coisas diferentes. – eu respondi automaticamente. Como sempre o assunto morria ali, mas dessa vez eu resolvi continuar. – Estou pensando em como eu realmente amo o céu dessa cidade. Mesmo quando está de noite. Estou pensando em como sou ciumenta e quase não demonstro isso, passando até por insensível e sem dar atenção à pessoa que estou no momento. Estou pensando em como tive ciúmes de você por estar trocando sms com alguém ou estar conversando com outra garota. Em como eu não sei se fico com raiva ou me alegro quando a musica do Lulu Santos se encaixa em dois momentos da minha vida tão diferentes. Em como ainda não consigo associar uma musica a você. E que parei pra prestar atenção que não tenho dedos nervosos, na verdade eu tenho, mas são dedos nervosos pra tocar na pessoa que eu gosto sendo amizade, carinho ou amor. É aquela vontade de pegar nela, tocar e fazer carinho...

Ele me olhou confuso, não sabendo do que eu estava falando ou apenas tentando absorver todas as informações que eu havia dito. Não dei chance dele falar e continuei...

- E agora minha vitrolinha que toca na minha cabeça quase sem parar está tocando uma musica que meu irmão me “apresentou” outro dia chamada Olá da banda Roupa Nova. E vai mudando para outras melodias até que fica um silêncio bom. Aquele silêncio em que eu poderia dormir ou apenas ficar parada agora, perdida em pensamentos até que você chegou.

Não houve tempo de resposta pra ele. O chamaram e ele hesitou em ir ou ficar. Eu falei pra ele ir, querendo que ele ficasse. Talvez ele pensasse que eu não queria a companhia dele ou que não estava dando atenção suficiente pra ele. Talvez ele estivesse certo. Talvez eu estivesse errada em ser assim. Eu apenas fiquei olhando pra ele, enquanto ele se levantava, indo na outra direção, tentando lembrar exatamente o formato do rosto dele, da cor dos olhos e do jeito que erguia a sobrancelha. Fui me perdendo tentando lembrar dos detalhes, mas o pouco tempo que eu passava com ele estava me fazendo falta.

Olhei pras minhas mãos que estavam seguras no bolso do meu moletom. Os dedos mexiam de forma natural. Eu apenas só não sabia dizer se eles estavam prontos para tocar o rosto dele novamente e poder sorrir. Ou estavam ensaiando um adeus...

Texto escrito originalmente em 17 de outubro de 2012, quarta-feira, 23:21. Sem adaptações depois de escrito

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A agradável sensação de surpresa


Eu odeio a sensação de: 'sei lá' e não vou falar sobre ela aqui. Caso queira ler dá um pulo lá no Daora a Vida e leia o texto do meu amigo (e pokémon) Lipe Marx chamado: "Meio sei la." Aliás, um texto muito bom!

Vou falar de coisa boa, de sensação boa: a agradável sensação de surpresa. Todo dia somos surpreendidos por alguma coisa: pode ser alguém te mandar uma sms de bom dia, o seu onibus passar no horário certo ou você conseguir ir sentada no metro em horário de pico e há também as surpresas desagradáveis que não vou citar.

Amo ser surpreendida, sério. Acho que você também. Vou citar um exemplo que me deixou feliz pakas e foi bem pequeno: o meu amigo Ken ir para a Jam do Museu no meu aniversário só porque eu falei que estaria lá. Tudo bem que se eu tivesse entrado no face teria lido a resposta dele dizendo que ia para lá, mas eu não li. Eu não sabia. Eu fui surpreendida com a visão dele andando na minha frente e falando: e ae (abraça) Feliz aniversário. KABUM! Eu poderia ter me apaixonado ali, por causa daquele minimo detalhe (ou dele sorrindo de surpresa quando eu fumei um cigarro na frente dele), mas foi tão simples que fiquei encantada. Melhor surpresa daquele dia.

Já reparou que a gente nunca repara nessas coisas? Nas pequenas surpresas? Bem, eu reparo as vezes e deve ser por isso que me chamam de boba. Outro dia reparei que meu amigo fica lindo de azul xadrez e nem havia comentado com ele, bem até agora há pouco quando parei de escrever isso e deixei uma mensagem na inbox dele no face comentando isso. Ele vai me chamar de boba, pode pensar que é cantada, mas ver ele de azul na minha frente foi mais que uma surpresa agradável.

E também amo as surpresas-presentes: trouxe algo para você (acompanhado de um doce, algo de comer, um salgado ou até um colar (já que quase não uso pulseiras ou anéis). Gosto de ser surpreendida, pode ser qualquer coisa mesmo: você aparecer num lugar que estou e falar comigo, fazer um carinho na minha bochecha, aquele garoto que eu fico/fiquei me dar um selinho na frente dos meus amigos, um abraço apertado, uma piada e até falar: ouvi aquela boyband que cê gosta e lembrei de tu.

Não vou dizer que se você aparecer na minha frente com uma caixa enorme de doces eu não vou te amar por uma semana, mas digo que se você não puder me dar essa caixa de doces e aparecer com uma balinha de café eu vou olhar pra balinha, fazer cara de boba e sorrir enquanto te abraço. Sou extremamente boba às vezes...

E das coisas que me deixam mais surpresas ainda: é a consideração de um desconhecido, tipo aquela menina que caiu no Parque da Cidade, eu cuidei dela até quando deu e depois ela voltou e me agradeceu. Eu falo disso até hoje! E nem lembro mais o nome dela... E no fim, tanto essa surpresa como aquela visita na minha casa super inesperada me deixaram super felizes.

Lanço agora um desafio para quem lê esse blog (os anônimos que nem comentam /xatiada): o que vocês estão fazendo para serem a agradável surpresa de uma pessoa hoje? Nada? Vamos reverter isso agora... O que seria uma doce surpresa pra mim? Bem, são dois desafios então! Vamos trabalhar neles agora!

E sendo assim: saio da internet para levar tortuguita para minha best Najú. E espero a minha doce surpresa...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Espero que dure...



Eu comecei esse blog inspirado na musica do Leoni - As cartas que eu não mando. Não achei o nome que queria, então o nome do site virou espantoedesejo em homenagem a uma daquelas musicas do CD que meu irmão não parava de ouvir e eu estava fascinada nela. Assim de um verso da musica "O Passeio de um Anjo - Roupa Nova nasceu esse blog. Certo? Também.

Talvez eu deveria odiar o fato de que ele nasceu por causa de um coração magoado, pode-se até dizer partido, mas não quebrado. Encantei-me por um garoto num desses romances aleatórios da vida com apenas um olhar dele diferente pra mim. Sei lá, pode parecer pegadinha, mas eu lembro quando ocorreu: estava no boliche com meus amigos, e ele chegou acompanhado do meu amigo, eu agachei e coloquei a mão na perna do meu amigo pra poder sentar e fiz um comentário com esse garoto e ele olhou pra mim como se nunca tivesse me visto (a gente já se conhecia). BOOM. Eu poderia ter me apaixonado ali. E aconteceu... Não quero falar mais dessa historia, não porque ela possa doer ou algo do tipo, mas só que depois de um ano vivendo ela de alguma forma eu posso afirmar: terminei essa historia, posso devolver o livro pra biblioteca e falar: "é, foi legal. Quem tem um livro novo?"

Não é ironia, eu apenas posso dizer que passou. Estou grata de alguma forma, não mais magoada e estou bem. Segui em frente. Pena que esse blog não ficou só nesse desamor, teve outro que poderia ter dado certo, mas como sempre vivo apanhando para a tecnologia... Esse cicatrizou mais rápido, deixou uma mágoa maior no começo, mas cicatrizou do mesmo jeito. Estou muito bem. Grata. Sem ironia.

Mas acho que deveria falar de outros amores, que também não deram certo, mas tornaram esse blog bem mais colorido: meus amores platônicos. Todos eles. O garoto do alargador e tatuagem que fuma de vez em quando e que sorriu quando soube que eu fumava (fumar não fumo, isso é outra historia), o menino de blusa branca que sempre achei lindo e agora é definitivamente meu amigo, meu amor e amigo que sempre ganha doce quando me ver, ou até aquele garoto de cabelo verde do Templo Budista que me deu marshmallow porque eu pedi e me deu um sorriso. A todos esses amores platônicos (e outros) que me receberam com um puta sorriso quando me viram ou eu conquistei um sorriso de felicidade ou com um gesto simples: eu agradeço. Vocês fizeram eu me apaixonar nem que seja por dois segundos, dois minutos, dois dias, duas semanas ou dois tempos não vividos. Vocês foram a razão de eu continuar aqui...

De não só escrever sobre esse velho coração que foi magoado ou já magoou. Vocês foram a razão de eu pensar em coisas alegres enquanto estava chorando, de me fazerem mudar um teoria sobre bebida e Templo Budista, são a razão de eu andar com doce na bolsa ou sempre caprichar na dosagem de perfume. São vocês que ajoelhados, sentados, jogados, brigando comigo ou me cutucando me fazem sorrir. Que estão na roda de amigos e se levantam e falam comigo, que piscam a distância, que me permitiram beijá-los e que me amaram. Sério, sem essas coisas mínimas eu não seria essa pessoa gentil com desconhecidos, ou fofas como vocês dizem...

Vocês me fizeram acreditar que gentileza gera gentileza, fizeram eu aprender isso na prática e me deram motivos para acreditar que mesmo que não seja eterno pode ter sido bom enquanto durou. Sabe, nem todos vão me fazer ganhar pontos no cartão-cupido e eu poderei reverter na viagem da Disney, mas vocês foram marcantes até aqui.

Depois de um ano agradeço por não estar chorando com 50 Receitas do Leoni enquanto releio esse blog, ou de não ter mais ódio de carros amarelos com tema da Copa, ou ouvir aquela musica da torta de amora e ficar com vontade de ir na casa de alguém e falar algumas verdades. Sabe o que eu faço nesse momento?

Tomo um Mupy de maracujá (que foi presente do meu Cavaleiro) enquanto Lulu Santos canta 'Apenas Mais uma de Amor' e sorrio. Fico pensando no "e se..." e todas as suas possibilidades que ela me rendeu, poderia ser tão diferente tudo agora: tantas pessoas que eu não teria conhecido se eu não tivesse sofrido um pouco por amor. Paro e sorrio por agradecer tudo que me trouxe até agora esse blog.

The Wanted começa na minha playlist e me animo ao som de 'Glad you Came' enquanto uma sms me rouba um sorriso. Pode não dar em nada, e aquela frase do meu amigo carregada de ironia se torna o lema dessa nova fase do meu blog "espero que dure..."

FELIZ ANO DE BLOG <3

Feliz Aniversário Blog




Nesse domingo, meu Blog fez um ano de vida :)
Tanta coisa já passou por ele, tanta coisa foi vivida por mim...
Bem, sem delongas vou contar essa história num outro texto/post, esse é só pra marcar essa data mesmo <3

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Zona de Conforto


Eu estaquei na Zona de Conforto. Numa falsa sensação de que estava tudo bem, que conseguia erguer meu braço o mais longe possível e poder alcançar tudo o que eu queria. Eu estava errada e fui preciso apenas uma palavra para desencadear uma discussão tão boba e grande que eu me tranquei no meu canto, nessa maldita zona de conforto e então pude perceber que eu estava errada.

Perdi-me daquela garota que aquele garoto falava naquela discussão... Aquele que sabia exatamente o que queria, que ia atrás, buscava e carregava pra sua casa o prêmio da vitória. A minha unica salvação é que ela não morreu totalmente, ainda há algo dela ali na escolha rápida de um sapato ou no que comer, mas ela se perdeu quando o assunto era o coração.

Conectou-se em algo, pôs suas expectativas e acordou sabendo que não era bem o que procurava. Deu um pontapé na escolha certa para o momento e depois mandou sms perguntando quando ela voltava. Maldita ironia do destino de deixar tudo tão confuso logo depois que parecia tão certo.

Encolho-me por baixo das cobertas enquanto espero uma resposta. Não vou fazer um sorteio do meu coração ou da minha vida, talvez seja culpa minha se não sei realmente organizar minha agenda e acabo perdendo algumas coisas. Sabe aquela Jam que não fui? Pois é, eles tocaram Daft Punk nela e eu perdi. Não vi meu sorriso tímido durante a baforada de um cigarro, não tive a oportunidade de roubar aquela maldita toca peruana que eu quero ou de virar realmente amiga do guri da blusa branca. Na hora isso não me incomodou, mas depois veio o incomodo...

PORRAN GURIA!  Levanta dessa zona de conforto. Suas aulas de francês são tão divertidas na teoria, e na hora de estudar é sempre tempo para qualquer outra coisa, né? Parabéns pra você! Ouvi a voz mais calma do mundo gritando comigo sobre isso e outras coisas que me encolhi mais ainda.

É, eu não fui feita para brigar. Eu lembrei de outra conversa numa tarde que acabou gerando um texto que ainda não tive coragem de postar. Suspiro e olho para a parede onde tudo está uma bagunça com ursos de pelúcia espalhados, duas almofadas de pessoas diferentes, poster de amores antigos mas não esquecidos.

Onde estou nessa parede de azul desbotado? Onde está aquela tarde de chuva onde eu nunca ri tanto por falar mala da garota de sobrenome Swan? Porque nunca ganhei as fotos do dia na lareira daquele período de doce namoro? Deixei-me esquecer de alguma coisas, deixei que a preguiça me dominasse e o amanhã eu faço virou meses, até que as fotos agora adonam uma parede bucólica bem longe de mim e a reforma da parede estacou no tempo. Sorrio pensando em como nunca reparei que a maior característica da Zona de Conforto é a anestesia.

Não sinto nada, nem animo, nem desanimo, vivo nessa eterna preguiça de viver meus dias, o que torna tudo tão irônico. Quer um exemplo pratico? Eu devo parar de esperar algumas coisas, um exemplo mais que perfeito foi o segundo sábado do Templo Budista. Estava com dor de cabeça, desanimada, mas havia prometido que ia. Não garantia diversão pra nada, e aconteceu tudo do contrário. Tive o melhor templo da primeira quinzena do mês onde conheci duas pessoas e até o guri que sempre aparecia na minha timeline e eu não sabia quem era.

Eu parei em alguns momentos de esperar algo, e deixei que a vida me levasse onde ela queria. Segui o mesmo caminho ou dei dois passos para a lateral, não saberei dizer. E sabe o que eu ganhei? Bem, eu achei um dos meus amores platônicos por ai, ganhei um puta abraço e um mega elogio, fiz amizade de verdade com aquele garoto estupidamente bonito que eu nunca pensei que eu teria coragem de dizer oi eque agora senta do meu lado e divide doce comigo perguntando como foi o meu dia. Eu esqueci dessa beleza.

Esqueci dessa beleza porque deixei-me criar raízes na Zona do Conforto onde um talvez, cancelamos o cinema ou está chovendo lá fora só me fazia ficar presa nela. Esqueci que estudar Francês pode ser muito divertido e só me recordo disso quando estou nas aulas. Esqueci que há tanta beleza em coisas minimas e que um pequeno detalhe faz toda a diferença. Putz! Tá na hora de literalmente fazer a cama e esperar dar 18h não pra ir pra casa descansar, mas pra arrumar aquele bendito guarda-roupa e poder finalmente comprar um sapato novo.

Saio debaixo da coberta, estico as pernas e vou em busca do sol. Se eu demorar a comentar algo nesse post não se espante, estou pegando sol lá fora ou dançando Matsuri com os amigos, ou seja, sai da Zona de Conforto e já me sinto preparada pra encarar as consequências que virão...

PS: texto dedicado ao meu amigo Henrique. Se ajuda alguma coisa, aparece na minha casa na segunda? Já terei resolvido o nosso dilema...

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Por que gosto da nossa história complicada?





PS: Texto de não autoria da dona do blog, publicado como anônimo. Todos os direitos reservados.

Não gosto de várias coisas. Uma delas são os meus textos pessoais.

Fico com a impressão de que quando coloco meu coração no teclado e começo  a digitar freneticamente, as orações perdem a abrangência que eu buscava, para que então um único foco tome conta de todos os parágrafos: eu e minhas histórias, tão complicadas quanto um cubo de Rubik. Começo a escrever influenciado pelo puro desejo de exteriorizar o que estou sentindo e sinto derramar-me sobre o texto,  apoderando-me e tomando conta dele, do prólogo ao epílogo, como a água que derramamos aos poucos e vemos espalhar-se pela superfície, irrefreável.

Não gosto de ser o foco, quando eu mesmo sou o observador. Quando o meu ponto de vista é o único a analisar toda a situação, há uma tendência em ser severamente crítico com relação às minhas próprias atitudes. Também não gosto das minhas histórias complicadas.

E você é a maior delas, sinto informar-lhe e informar a mim mesmo. É complicado te ver sem que as cenas da nossa história complicada invadam a minha mente e eu vividamente relembre tudo o que aconteceu, desde aquele maldito 6 de fevereiro quando aceitei ver aquele filme com você, sem a menor pretenção de abrir as portas da minha vida para o seu sorriso bobo e os terríveis olhos de ressaca. Poderia dizer que me arrependo, se fosse julgar por todas as reviravoltas que nosso perigoso amor estava destino a enfrentar. Não me pergunte o porquê, até hoje ainda não entendo o que eu pensava quando nós estávamos juntos, mas aquela sensação de risco calculado não me deixava em paz, e constantemente achava que o dia em que nos beijamos pela primeira vez foi o dia em que eu comecei a patinar em gelo fino, sem saber se a mão que patinava ao meu lado era firme o suficiente para nos segurar, caso o gelo rachasse.

Fico curioso em saber quando aconteceu. Tudo pareceu tão rápido, tão de repente que não tive tempo hábil de perceber e perguntar-me se era assim mesmo que as coisas deveriam ser. A única coisa que tive tempo de fazer, quando a realidade estapeou a minha cara, foi olhar ao meu redor e temer o fato de que meu mundo já não seria o mesmo sem você nele. E esse temor não passou nunca, desde então. Cada dia da nossa vida juntos me parecia uma vitória e eu celebrava isso intimamente, porque pensava que a qualquer instante, na velocidade da batida das asas de um beija-flor, eu estaria por minha própria conta de novo. Se o certo é cuidar do jardim para que as borboletas cheguem, eu tinha a nítida certeza de que você era a borboleta mais arisca e não havia flor que fizesse você preso a mim. Não tanto quanto eu era preso a você. Me envergonho ao lembrar dessas coisas, se quer saber a verdade. Aos olhos de qualquer cidadão sensato, era possível ver que era eu quem precisava de ti, e não o inverso, para meu infortúnio.

Mas o tempo foi passando, como é de sua bondosa natureza. E aos poucos eu fui mergulhando em você, mergulhando na nossa paixão que causava inveja a quem estava à nossa volta. E a cada centímetro no qual eu me afundava, esquecia-me de voltar para respirar e me lembrar de que aquilo podia acabar a qualquer hora. Eu me esqueci disso, e paguei um preço alto. Você se tornou a minha rotina. Mas não daquelas rotinas cansativas, você era a rotina que eu gostava de ter, aquela que dava sentido a cada coisa imbecil que eu fazia no meu dia. Pensar em você era tão natural quanto respirar e eu me acostumei com o enorme espaço que tão incovenientemente ocupara na minha vida, sem ao menos ponderar se eu queria. Porém, você não precisava ponderar. Eu facilitei tanto para nós dois que abriste caminho no meu dia-a-dia sem fazer grande esforço. Saber que era o seu cheiro que eu ia sentir, que era o seu sorriso que eu ia ver e era a sua voz que eu ia ouvir quando chegasse o fim de semana, me deixava mais calmo, quando meus dias eram meio turbulentos. Torná-lo um hábito foi um erro tão brutal que eu tenho medo de todas as pessoas que começam a se fazer presentes demais para mim.

Estremeci quando você deixou aquela roupa sua no meu quarto. Tomei um susto ao perceber que você tinha ido embora lá de casa com uma camiseta minha. Foi então que eu notei que eu já não tinha distinção de quando terminava o meu espaço e começava o seu. Nós dois éramos tão únicos que para mim só exista a circunferência da bolha que nos envolvia. Os perfumes se misturavam e a junção deles formava o nosso cheiro, mais uma das marcantes características daquele casal incomum que se tornara inseparável. Eram muitas manias, muitas piadas, muitos detalhes que escapavam aos olhos de todos.

Eu só tinha amado uma vez, antes de você. Não tinha muita certeza de que era amor verdadeiro, da mesma forma como hoje não tenho certeza quanto à veracidade do nosso. Ainda assim arrisquei aquele “eu te amo” tímido, dito no silêncio da minha cama, que era até então o nosso santuário inviolável, onde todas as verdades eram contadas sem pudor. Pode ser que eu estivesse inebriado pela ideia de amar, mas naquele momento me pareceu sincero o suficiente. Você não respondeu na hora, para consolidar toda a insegurança que eu sentia desde o dia em que eu fiz o pedido de namoro.

E um dia, depois de várias mentiras, depois de vários beijos indevidos, depois de várias histórias colaterais, você resolveu dissolver nosso mundo (àquela altura dos acontecimentos, claramente mais meu do que seu). Como eu tinha me esquecido de como era sem você, foi difícil e doloroso substituir o seu espaço. Vários candidatos apareceram, muitos deles imensamente melhores, e ainda assim, você tinha marcado o seu lugar de maneira que, tão cedo, eu não conseguiria ocupá-lo.

Hoje em dia não existe mais você. Ainda que apareça algumas vezes na minha memória ou na minha frente, delicadamente fiz com que se afastasse. Arrumei um jeito artificial de apagar a sua existência e, até o momento, ele tem funcionado bem. O amor morreu, a paixão, e tudo o mais que foi abruptamente arrebentado na nossa história complicada. Não te esqueci, mas só pelo fato de que não existe uma maneira de não se lembrar de alguém. Mas esqueci o que é sentir por você, aquilo que outrora eu tinha sentido com todo o meu ser. O que existe hoje são só os cacos de uma história que, dadas as circunstâncias, nem temos como dizer se foi de amor, ou de qualquer outra coisa frágil demais para ser definida.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Coisas do Templo



Continuação de: "Pacote de Viagem sobre encomenda..."

Eu morava em Brasília, mas não sabia andar por Brasília. Não nasci aqui, nem lembro onde nasci, mas gostava dessa cidade, mas não sabia andar nela. Minha pouca vida social era direcionada a dar aulas de Filosofia na UnB tentando fazer os alunos chapados aprenderem alguma coisa. Tentar evitar que eu ficasse chapado por respirar o mesmo ar que eles era a meta dos meus dias. Era nessas coisas que eu pensava enquanto olhava para o Templo Budista de Brasília e ficava pensando como nunca tinha vindo aqui. Sempre recusava os convites dos meus alunos, ou das minhas alunas e agora me via aqui olhando pessoas tão distintas espalhadas.

Algumas delas conversavam na fila da comida, outras passam olhando tudo com cuidado e os mais jovens andavam despreocupados, rindo e acenando para os amigos que viam ali. Parecia que sempre marcavam de se encontrarem ali, como aquelas pessoas que fazem amizade de tanto verem uns aos outros nas mesmas festas. E ali estava minha pessoa, totalmente perdido não sabendo onde me encaixar no meio daquelas pessoas. Pensei em meditar um pouco, mas era ateu e me sentia estranho ali. Continuei andando por lá, vendo o centro de pessoas que dançavam algo chamado Matsuri ou riam por nada, concentrei-me na fila de comida a minha frente que estava gigantesca enquanto me arrependia de ter vindo pra cá por causa de uma citação no Facebook.

"E hoje tem Templo Budista, vamos animar galera". E a citação de umas 84654 pessoas e o nome dela incluso.

Aquela garota da agência de viagens que compartilhou comigo um café, as historias da viagem dela, uma aceitação no Facebook e alguns comentários em posts meus havia feito eu querer conhecer o Templo Budista, e conhecer o mundo dela. E havia mais, sempre o olhar as fotos e se perder na cor intensa dos olhos verdes, ou ficar com ciume vendo as marcações de alguns garotos que pareciam conhecê-la tão bem, e eu nada. Ela havia me passado seu numero, eu havia ligado apenas uma vez e agora estava aqui rezando as forças científicas para vê-la novamente e poder compartilhar alguma coisa.

- Logan? - a voz dela me fez virar e vê-la ali parada na minha frente, usando um short de cintura alta, uma blusa escrita ZAP, uma sapatilha nos pés e um lenço pin up na cabeça. Ela estava linda. - Logan? - ela falou mudando o tom de surpresa para alegria, mas mantendo a pergunta.

- Oi, Dani. - eu falei olhando para o lado. Ela estava fora da fila com uns amigos, rindo e se divertindo enquanto eu estava todo sério com um prato de camarão na mão.

- Bem, vamos para o gramado. Não fuja da gente, Dani! - um dos amigos dela falou e arrastou a galera dela.

- Eles foram embora por minha causa? - eu perguntei quando nos sentamos no gramado atrás do templo, depois que ela me fez companhia comendo camarão empanado.

- Nope. - ela falou distraída. - A gente sempre vai pro gramado se reunir aqui. É aqui onde acontece as melhores e as piores coisas do Templo, é meio que uma tradição.

- Porque acontece as piores coisas? - eu perguntei erguendo meu óculos e observando as pessoas fazendo de tudo: se pegando, bebendo, tocando violão, dançando, correndo, dançando, rindo loucamente. Eles parecia tão livres...

- Isso depende do ponto de vista, isso é divertido de alguma forma? Outros não gostam. Digamos que no templo você vive tudo muito rápido, e sofre devagar demais. - ela falou séria de repente.

- Você está falando como se tivesse se apaixonado no Templo e não tivesse dado certo. - eu falei tentando descontrair o clima tenso.

- E foi. - ela falou olhando para um garoto sentado no chão ali na numa roda de pessoas logo na frente. Ele não tinha nada demais: era um pouco baixo, cabelos lisos e curtos, olhos normais e um pouco magrelo. Ela segurou a mão uma na outra ao observar ele, e quando ele olhou pra ela, foi a cena mais estranha e curta da minha vida. Ele sorria, depois fechou a cara e mudou de feição. Os amigos dele acenaram para ela, mas ele continuou fingindo que não a via. Isso doeu nela, eu percebi pela forma que ela mudou o olhar, como se encolheu e como rapidamente se levantou e saiu de perto dele.

- Você ainda gosta dele, né? - eu perguntei olhando pra ela. Ela havia andado firmemente até o prédio mais próximo  onde se sentou e ficou olhando para o além.

- Alguém tem fogo? - um garoto perguntou olhando pra gente.

- Não. - eu falei sem olhar pra ele. Dani tirou do bolso um isqueiro e emprestou para o garoto, que agradeceu e deu um sorriso pra ela, como se memorizasse o rosto da garota que poderia emprestar fogo pra ele de novo. Ou algo mais...

- Não. - ela respondeu depois que o garoto saiu de lá.

- Não o que? - eu perguntei confuso.

- Eu não gosto mais dele. Eu pensava que gostava, mas não. Eu vi ele Templo passado, no caso no outro fds e havia doido de alguma forma. Então hoje, quando eu o vi, pensei que ia doer que nem da outra vez, até me encolhi já preparada para sentir um pouco de dor, mas não ouve nada. Esquisito não? - ela falou relaxando e rindo. Sentou-se de forma a colocar a cabeça dela na minha perna e ficou balançando a perna. - Nunca pensei em te ver por aqui...

- Se eu falar que vim pra cá pra ter ver, você vai pensar que eu sou doido? - eu falei do nada. Ela levantou o olhar pra mim e sorriu.

- Não! - ela falou rindo! - São coisas do Templo.

- Todo mundo fala que são coisas do Templo. Você poderia me dar um exemplo de coisas que acontecem nesse lugar? - eu falei olhando para um casal de garotos que se beijava publicamente, mas havia tanta doçura naquele beijo que não comentei nada...

- Hey Logan. - Dani me chamou. - Olha um bom exemplo.

E então ela me beijou, com a mesma doçura e intensidade que um beijo pode ter, e saiu para onde estava seus amigos onde ria, dançava e se divertia. Eu fiquei ali deitado, olhando para o céu escuro, não reconhecendo nada das musicas que tocavam a minha volta, não me importando com o cheiro de maconha ou apenas cigarro. Eu havia sido beijado e definitivamente estava apaixonado...

Continua.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Antes de ir embora, diga ao menos adeus...


Eu deveria fumar um cigarro, foi a primeira coisa que pensei quando recebi noticias suas. E como sempre elas não eram as que eu esperava. Na verdade, nunca soube o que esperar quando o assunto era você. Não depois que nos separarmos.

Fumo meu terceiro cigarro sem culpa, escondido num beco vagabundo enquanto olho as pessoas a minha volta andando apressadas na sua hora do almoço. Minha mãe havia ligado perguntando se eu queria biscoito Passatempo, pois ela iria fazer compras. Disse que preferia Trakinas. Ela não entendeu minha piada.

Sabe, fumando esse cigarro na hora do almoço enquanto eu deveria estar trocando olhares com os novatos da empresa eu só penso numa coisa: você. Talvez tenha começado esse vício porque você fumava, ou apenas não achei algo mais barato na banca para me distrair. Mas no fundo, não faz diferença.

Jogo a fumaça para o auto pensando em quantas vezes passei a noite pensando que você voltaria a minha casa pra buscar suas coisas. Pra terminar o que um dia começamos. Poderia chover muito e eu teria que tirar sua roupa e te aquecer, ou podeira estar fazendo um sol tão grande que engoliria minha visão e meus sentimentos. Puxa, você poderia ter tirado aquela hora de folga na quarta pra buscar suas coisas lá em casa. Saberia muito bem que minha mãe não estaria lá e que qualquer coisa você pulava o muro do quintal para o beco vazio como fizemos muitas vezes para nos ver.

Sinto saudades disso. De pular o muro, de brigar com você por fumar e de ter você ao meu lado. Mas agora não tenho certeza. Outro dia me vi telefonando para a fiscalização sanitária denunciando o muro atrás da minha casa, quando percebi o que estava fazendo desliguei o telefone e deixei que o constrangimento me cercasse. Estava mesmo tentando te esquecer.

Volto para o escritório com um sorriso amarelo não por causa do cigarro, mas lembrando que vou ter que tirar algumas moedas do meu cofre para a tatuagem para apagar os vestígios do cheiro de fumaça e cigarro. Gastei bem mais tentando te apagar da minha vida.

Há tão pouco ali, tanto no cofre como no espaço que era seu que me pego perguntando se terei mesmo coragem de fazer essa tatuagem ou de esvaziar o lugar que era seu e preencher com outra coisa. Comprei mais um livro que não vou ler tão cedo, um CD que não iria comprar mas que não paro de ouvir. Tornei-me uma controvérsia tão grande que não sei quem sou mais.

Meus amigos falam que eu mudei, levei um murro outro dia por querer aproveitar a vida. Levaria dois da minha mãe por ter pulado a merda daquele muro pra te ver andando de skate novamente na rua de baixo. E no final das contas, fico nesse impasse de te ligar e dizer tudo o que sinto.

Não direi que te amo, pode ficar magoada com isso. Mas nesse momento, meu ego está maior que minhas lágrimas. Não é culpa sua, se não terminou como eu queria. E sabe como eu queria que tivesse terminado? Não, não é com você em meus braços, mas talvez com um simples e singelo adeus.

Você deveria ter saído da minha vida, nisso todos concordam, mas deveria ter dito adeus. Não até logo como ficou pairando no ar desde que trocou a ultima sms comigo e sumiu desde então, me evitando por motivos tão infantis que em vejo num relacionamento com uma criança de 12 anos, com maturidade de 9. Decepcionante. Sabe o que doí? Além desse não 'adeus'? A minha sinceridade, e o que deveria ter sido nossa sinceridade.

Começamos como? Sabendo que não poderia dar nada? Uma experiencia por curiosidade? Ou apenas para ocupar nosso tempo. Numa troca saliente de sms ou conversas pelo Face, numa jogatina de palavras dúbias. Agora não sei. Mas havia a sinceridade de saber que não iria para a frente, e que seriamos sinceros com o fim.

Agora me escondo no arquivo desse emprego estupido que arrumei para poder ocupar minha mente, para meus pais me deixarem em paz, para ter dinheiro e para esquecer você de vez. Quatro motivos banais e nenhum deles parece me animar nessas manhãs de Agosto frio onde tenho que ir trabalhar.

Engraçado que em Agosto passado eu brigava por você, bêbado num mercado qualquer, meses depois eu me encantava por uma outra você na rua ou na porta da escola. Nunca saberei a diferença. E você (duplicada ou não) não me disse adeus.Custava muito? Acho que não.

Custava ter batido na minha porta decidida ou envergonhada, com pressa ou sem medo de entrar e sentar no sofá. Você pediria suas coisa de volta, talvez eu tivesse separado algumas, outras você exigiria em levar contigo, umas não seriam nem minhas nem suas e no fim riríamos por não sabermos mais o que é meu e o que é seu. Ficaria aquele constrangimento no ar, interrompido pela minha mãe que entraria com dois copos de café e pão de queijo afirmando ser hora do lanche, embora no fundo tivesse apenas medo de nos ver atracados na cama dela.

Acho que o adeus doeria em você, por alguns desses motivos. Talvez você ainda achasse que eu era a unica salvação que você tinha nessa vida de descobertas sem fim, ou eu seria apenas a pessoa do ombro amigo que te colocaria no colo enquanto pensava em outra pessoa. Não sei. Juro que não sei...

Mas enquanto sacolejo dentro de um ônibus lotado pronto pra voltar pra casa, percebo que o adeus doeria mais em mim. Amargaria meu café por semanas que pareceriam sem fim, me faria brigar com meus pais, largar a igreja, questionar a minha sanidade, a fidelidade dos meus amigos e me faria querer fazer a mala para bem longe de você. Custava dizer adeus? Claro que custava. Custava tanto que até agora você não disse...

Desço na parada de casa, passo na padaria e compro um Trident para apagar os vestígios de cigarro na minha boca. Quanto custa uma borracha? Cinquenta centavos? Não sei. Meu novo vício custa alguns minutos roubados na hora do almoço, os cuidados para não deixar cheiro na roupa, a acelerada no coração caso minha mãe descubra que fumo. Não sei de muita coisa, e das poucas que sei apenas digo que você ter dito adeus doeria bem menos, custaria bem menos.

Mesmo assim, não custa nada tentar. Apago o pitoco de cigarro, querendo apagar essa sempre velha historia.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Amados Capitães


Que me perdoem os fãs de Gabriela e sua pipa, de Tieta e suas aventuras no agreste, de Dona Flor e seus dois amores ou da morte de Quincas. Não li todos os livros de Jorge Amado e talvez nunca venha a ler. Mas digo aqui com orgulho que sou fã de Pedro, Dora, Gato e seus amigos. Li Capitães de Areia muito nova ainda, deveria ter uns 13 anos na época e ainda me lembro da cara da bibliotecária me dizendo carinhosamente que eu deveria voltar a olhar a sessão de Narizinho e seus amigos, não aceitei seu conselho e voltei pra casa com o livro nos braços.

A leitura era um pouco complicada para meu pouco vocabulário na época, mas a sensação de leitura me agradava tanto que eu não queria parar. Fui assim inserida no trapiche e nas ruas da Bahia onde esses garotos de rua, pequenos ladrões e homens de alma já viviam suas aventuras. Imaginei-me na Bahia pelos olhos dele, onde tudo era diversão, onde o areal era lindo e as negrinhas eram bonitas. Onde a água do mar era linda e o céu era um convite a ficar amando aquelas terras.

Depois desse livro nunca mais um carrossel foi o mesmo pra mim, assim como toda vez que vejo algo de cangaceiro lembro de Volta Seca, assim como a reza de Pirulito pra mim vai ser sempre a mais bonita e honesta, e assim Gato e Professor me ensinaram ginga e paixão pelos livros. E acima de tudo Pedro Bala me ensinou a ser um chefe decente e correto, embora eu nunca chegue a ter um grupo de ladrões já homens para comandar. Aprendi a amar e ser uma boa mãe com Dora, e assim também mantive em segredo minha vontade de cuidar de Sem-Pernas.

Anos depois, já no ensino médio minha turma da escola teve que fazer um trabalho com o tema de Jorge Amado, recordo-me de rapidamente indicar Capitães da Areia para a peça de teatro, ficando responsável pelo roteiro e ensaiar os atores. Aquela sensação de ser um Capitão de Areia, nem que seja por 15 minutos me dominou de felicidade e quando vesti minha roupa em frangalhos pude sentir-me estupidamente livre e feliz. A peça não foi das melhores, mas eu era livre naquele palco como aqueles garotos eram no livro, não havia um areal na minha frente ou o calor da Bahia, mas havia uma chama tão grande e acolhedora no meu coração que em fez amar esse livro desde o primeiro momento em que o li.

E no fim do livro, quando eu percebi que meus amados Capitães seguiam seus destinos, tristes ou felizes eu chorava de orgulho e dor. Dor por saber que a vida deles foi e era sofrida, e talvez continuasse até muito depois embora isso nunca chegasse a ser narrado no livro, mas havia o orgulho. O orgulho de ver que eles se tornaram homens melhores que muitas pessoas por ai nesse mundo e que eles serão um daqueles heróis que temos e poucas pessoas entendem. Talvez muito de vocês não compreendam o que pequenos ladrões podem fazer na vida de uma garota como eu, mas mesmo assim eu gostaria de agradecer a Jorge Amado por esse livro, sem ele eu não teria orgulho de dizer que tenho heróis brasileiros como referencia. Obrigada meu Jorge e com certeza Amado.

Segue abaixo Trecho do Livro “Capitães da Areia”
"No começo da noite caiu uma carga de água. Também as nuvens pretas logo depois desapareceram do céu e as estrelas brilhavam,brilhou também a lua cheia. Pela madrugada dos Capitães da Areia vieram. O Sem-Pernas botou o motor para trabalhar. E eles esqueceram que não eram iguais às demais crianças, esqueceram que não tinham lar, nem pai,nem mãe, que viviam de furto como homens, que eram temidos na cidade como ladrões. Esqueceram as palavras da velha de lorgnon. Esqueceram tudo e foram iguais a todas as crianças, cavalgando os ginetes do carrossel, girando com as luzes. As estrelas brilhavam,brilhava a lua cheia. Mas, mais que tudo, brilhavam na noite da Bahia as luzes azuis,verdes,amarelas,roxas,vermelhas, do Grande Carrossel Japonês."

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Pacote de viagem sobre encomenda




Cheguei à agencia de turismo com uma idéia completa do que queria para minhas férias do meio do ano. E não adiantava nada do que a mulher me dissesse, eu teria uma resposta convincente para aquela ladainha dela de vendedora de viagens.

- Procuro uma viagem em que eu possa me divertir e me distrair, estou precisando de férias. Mas estou sem muito dinheiro ou tempo, então eu quero algo assim: ser mochileiro (levar pouca coisa na ida) e quem sabe voltar com algo novo e legal. Ter uma lista de indicações de lugar pra dormir porque posso passar a noite numa cidade e amanhecer em outra, ou algo do tipo. Acho que a Europa é legal, posso conhecer vários países pegando um trem ou outro transporte barato  também não vou precisar de livros porque vou ficar vendo as lindas paisagens pela janela. - pausa pra refletir. - Também prefiro calor, não me dou muito bem com o frio das cidades ou do coração das pessoas. Então, no resumo é isso, o que tenho para junho ou julho?

Nem um elogio da mulher por ter feito minha escolha antes eu recebi e isso em incomodou. Tentei esquecer esse detalhe.

- Então, Sr Logan... - ela começou, mas logo a cortei dizendo que o Sr estava no céu embora eu fosse ateu. Não, eu não comentei a parada de ser ateu com ela. - O Sr é um pronome de tratamento que utilizamos quando não temos muito contato com a pessoa, mesmo assim Logan acho que encontrei o pacote de férias para o senhor perfeito.

Ela abriu o plano de viagem na minha frente me mostrando todas as probabilidades que eu teria de encaixar meus planos de diversão naquela viagem e sem muita demora eu comprei o kit. Dentro de 15 dias eu estaria viajando para meus 15 dias de diversão que seriam perfeitos.

Um mês depois eu estava voltando lá com uma lista de reclamações para aquela atendente vagabunda: minha viagem tinha sido uma merda.

- EU QUERO FAZER UMA RECLAMAÇÃO! - eu falei entrando na sala onde minha atendente me olhou com espanto depois que interrompi sua gargalhada.

- Sr Logan. Entre. - ela falou sorrindo para a garota que estava na cadeira da frente dela com uma mochila aos seus pés e uma copo de café gigantesco, me ofereceu uma cadeira e abriu seu livro de reclamações e sem esperar eu comecei meu discurso.

- AQUELA VIAGEM FOI UMA MERDA! - eu gritei e contei triste a viagem para a Europa onde incluiu um albergue que não me aceitou, um hotel de quinta categoria, uma viagem de trem no dia que mais choveu na Europa e não pude ver nada das paisagens e até inclui minha frustração de não poder ver o show que eu queria ir e não consegui.

- Certo. - ela falou. - Mas o senhor vai ter que esperar um pouco, temos outra pessoa para que chegou mais cedo e também veio reclamar.

Eu virei minha atenção para a garota que usava apenas uma blusa branca social dobrada de forma elegante, um calça jeans e uma sapatilha nos pés. O cabelo preso num coque folgado e na cabeça um lenço como as pin up's de antigamente. Ela era linda.

- Bem, eu vim dizer que também não fui aceita no albergue e que isso deveria me garantir um reembolso, mas embora eu tenha tido uma viagem tão ruim como a do Sr. Logan aqui do meu lado, eu não tenho muito do que reclamar. - ela falou tomando um gole de café.

- Não venha me dizer que você comprou o mesmo pacote de viagens que eu e ainda se divertiu no tanto de azar que tivemos... - eu falei ironicamente.

- Sim. - ela falou calma.

- Posso saber como? - eu falei me virando pra ela e encarando-a de forma séria.

- O albergue também não me aceitou, mas em vez de ficar reclamando com eles e gritando que nem uma louca no saguão, eu perguntei se eles conheciam a filial dessa agência de viagens no país deles, ou onde ficava a Embaixada do meu país. Além dessas informações, ganhei uma indicação de um senhor muito calmo e idoso que falou de uma pousada barata e aconchegante mais para os limites da cidade. - ela falou me olhando. - Me perdi pela cidade, cheguei atrasada no show e não consegui entrar, mas em vez de chorar eu fiquei olhando para um outro grupo de fãs que não acharam ingressos até que eles me acolheram na roda de violão deles e a noite acabou num pub barato com karaokê duvidoso. No dia que peguei o trem chovia muito, mas isso me fez andar por ele e descobrir além de pessoas tão diferentes, o trem tinha um biblioteca pequena com livros de todos os lugares do mundo, até um livro em português. Sentei-me na poltrona e sorridente acolhi o chá que me serviram e os barulhos da chuva que me acalmavam quando me dedicava a leitura. Uma viagem que definitivamente não estava como eu queria, mas mesmo assim foi excelente.

- O que você queria que eu fizesse? - eu falei emburrado. - Que eu entregasse minha vida ao acaso e a um bando de desconhecidos e esperassem que eles salvassem minhas férias? Não seja imatura.

- E ficar de mal humor por causa que não conseguiu seguir metade dos seus planos por forças maiores é o que? Senso de responsabilidade? Acho que não. - ela respondeu dando de ombros.

- Não posso colocar minha vida na mão de forças misteriosas que não acredito. - falei depois de alguns segundos de silêncio.

- Você acha que coloquei a minha vida na mão de forças misteriosas? - ela falou me olhando. - Não penso desse jeito. Eu penso que coloquei as minhas frustrações de lado e tentei encarar o que a vida tinha de bom naquela oportunidade. Se você tivesse parado cinco minutos de gritar e tivesse olhado para além dos seus problemas perceberia que no mural atrás do informante do balcão havia vários anúncios de hotéis alternativos. - ela comentou ao terminar seu café.

- Mas você perdeu o show que queria ir! Não tem como reverter isso. - eu falei quando ela estava se levantando e indo embora.

- Eu perdi um show na Europa, mas ganhei amigos novos e que me divertiram porque também haviam perdido um show. E o que você ganhou além de brigar com as pessoas a sua volta? Nada. - ela falou assinando o livro de reclamações e se retirando da sala.

- O que foi isso? - eu perguntei olhando pra atendente que estava sorrindo indiferente a mim.

- Isso foi uma lição de vida, Sr. Logan. Quantas vezes o senhor vai poder viajar e falar assim: eu me perdi, tive uma viagem que era pra ser horrível, mas consegui tirar algum proveito disso? Poucas. Me desculpa a sinceridade, mas o senhor com um pouco mais de quarenta anos deveria estar dando lições de vida a garota de vinte e poucos anos que estava a sua frente, e não o contrário.

Eu sai de lá cerca de uma hora depois, já que como procedimento eu tinha que relatar tudo que tinha pra reclamar em detalhes, o que me deixou afundado numa cadeira. E no final das contas, apenas a parte do albergue era culpa da agência, o resto foi apenas desventuras em séries. Quando sai de lá eu fiquei olhando pra lanchonete à minha frente até entender o que estava focalizando: a garota da agência de viagens. Sem pensar duas vezes eu atravessei a rua pronto pra seguir aquela garota. Quem sabe ela me ensinaria a fazer um "pacote de viagem sobre encomenda" perfeito? Foi nisso que eu estava pensando quando toquei no braço dela, só não sabia que seria naquele par de olhos verdes escuros que iria encontrar uma real razão para amar...

Continua... 


terça-feira, 31 de julho de 2012

Uma lanterna e um Lumus...


Eu comecei essa história pela metade, essa do bruxinho que eu amo. Comecei pelo quarto livro não sabendo quem era Almofadinhas e porque as pessoas viviam implicando com o coitado do garoto da cicatriz só porque ele entrou num campeonato onde a maioria queria entrar e não pode.

Eu não sabia quem era metade (na verdade, mais do que a metade) dos personagens, mas eu continuei virando as páginas de forma frenética, e quando acabei o livro eu tinha duas certezas. Eu queria o primeiro. Eu estava encantada por Harry Potter.

Sabe? Quando a amiga da minha mãe indicou Harry Potter pra mim, lá no ano de 2001 eu não sabia que seria tão importante, que me marcaria tanto e que eu aprenderia tantos valores e faria tantos amigos por causa dele. Fui expulsa da sala uma vez por causa de HP e não me arrependo. Não podia prever isso, como não posso prever muitas coisas até hoje.

Mas há sempre a magia do momento. A magia de ler o livro e surtar com a sequencia de fatos, a magia de olhar alguma coisa boa e associar ao filme e ainda aquela magia de olhar para um fã de HP e sem palavras poder sentir um turbilhão de emoção. Sim, amo Hogwarts também.

O que Harry me ensinou? A lutar pelos seus sonhos e pelo que acha certo, além de sempre confiar nos seus amigos, assim como Hermione me ensinou a estudar um pouco mais, e como o Rony me divertia e o Cedrico era minha inspiração de pessoa boa e com os valores certos. Eu me recordo com lágrimas nos olhos de quando lia o Cálice de Fogo (pela segunda vez) e de vez em quando acordar assustada e com medo do que havia lá fora, covarde demais para acordar meus pais por um motivo bobo que era sentir medo. Muito medo por nada. Sabe o que me acalmava? Pegar minha lanterna do radinho, puxar o livro quatro de HP e iluminar a capa olhando o rosto do Harry segurando o ovo e o Cedrico ali no canto. Eu abria o livro, falava Lumus e lia um pouco, me acalmando até que voltava ao meu sono e dormia tranquila.
Era simples, era um momento meu, era a magia de JK Rowling.

Mais de 10 anos se passaram e ainda continuo fã dessa saga, dos seus personagens, do modo que foi escrito e de como foi marcante. Eu desejo de verdade, quando tiver meu filho poder colocá-lo no meu lado e começar a contar essa historia pra ele, junto comigo, fazendo ele se apaixonar por algo que foi tão marcante pra mim. Talvez eu comece a contar essa historia enquanto ele estiver na minha barriga, um capitulo por noite ou assim por diante. Não sei ainda...

Mas hoje, nesse dia 31 de Julho de 2012 numa manhã fria e ventosa tipica de Hogwarts eu gostaria de olhar para JK Rowling e agradecer tudo que tenho, tive e ganhei sendo fã de Harry Potter. Gostaria de desejar Feliz Aniversário para o garoto da cicatriz e poder bagunçar mais ainda os cabelos dele e olhar pra trás onde todos os personagens estão e me sentir completamente feliz, como sempre sou quando estou envolvida com Harry Potter.

Aos meus amigos da Lufa-Lufa cuja lealdade estão sempre me guiando, eu vos dedico minha salva de palmas. Vocês são incríveis, nunca deixem que lhe digam o contrário.
Aos meus companheiros da Corvinal cuja inteligência sempre me impressiona, a minha salva de palmas também.
Aos queridos e amados da Sonserina (sem ironia), cuja amizade sempre é turbulenta pois é vivida com muita paixão e realidade meus parabéns sinceros. Acho que vocês são a prova viva que mesmo entre duas casas tão distintas pode haver amizade.

E por fim, aos meus amigos, companheiros, amados, zoadores, loucos, apaixonados e inesquecíveis companheiros de Salão Comunal da Grifinória (principalmente aqueles que conheci pelo Clube do Livro) o meu muito obrigada. Cada coisa que vivemos, passamos e compartilhamos nos tornou literalmente "Gold Forever". Vocês deram o sangue e muito mais por essa casa, estou encantada por isso. Vocês são os melhores.

E a você que é fã de HP e não foi mencionado diretamente aqui, não se sinta esquecido. Pegue seu livro de Reliquias da Morte e veja a dedicatória do livro, você está nela.

E daquela garotinha que usava uma lanterna pra poder iluminar o escuro e acabar com seus medos, nasceu uma garota legal e corajosa da forma que lhe é conveniente. E ela que está aqui sorrindo pra você com uma lanterna na mão esquerda e na mão direita uma varinha, pronta pra iluminar um pouco sua vida. Lumus.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Feliz dia do Amigo e obrigado pela consideração.


Acordei esses dias depressiva, com uma saudade enorme não de 2008 (um ano muito bom), mas de antes disso. Acordei com saudade de 2005. Das pessoas que entraram na minha vida naquele ano, que formaram muito da minha personalidade (aqueles que dizem que sou fofa, agradeça a eles, eles me ensinaram a ser gentil com todos). Saudades dos cachos dourados, do skate, do violão, da casa no Lago...

Olhei pro calendário a minha frente, marcando 2012 e sorrio. 2005 foi um ano excelente, assim como 2008, mas agora depois de tanto tempo, esse 2012 me trouxe muita coisa boa. E os anos anteriores também. Me trouxe meus amigos. Então, feliz dia do amigo e obrigado pela consideração.
Falo sério, obrigado mesmo pela consideração.

Consideração é algo que eu valorizo muito, então por tudo que vocês estão fazendo hoje ou já fizeram vocês estão ganhando puta pontos no quesito consideração comigo. Por todas  as sms quem me roubaram sorrisos (todos merecidos), as marcações no face, os tweets e os abraços. E olha que o dia nem acabou e ainda espero algumas coisas boas por virem. E gostaria de agradecer aqui algumas coisas em especial: as memorias que formamos juntos e os momentos nos tornamos amigos. Momentos lindos e únicos. Vou citar alguns, então se não se achar no meio deles não se espante com minha pouca memoria.

Teve aquele dia que você me derrubou no chão e me chamou de pangaré. Aquele dia que você enxugou minhas lágrimas. Ou aquele em que me viu chorando e se levantou incomodado demais por eu estar tão pra baixo. Teve aquela plaquinha naquele evento otako que nos tornou amigo, ou aquele papo puxado numa fila da vida e já eramos amigos. O morar na mesma rua, o poder tocar a campainha e falar mal da Bella Boba, o ouvir Fantástic Baby e dançar na sua casa. Os amigos que fiz pela Terra da Poesia Furada, pelo FC Mapa do Maroto, os que encontrei no Clube do Livro, os que me fazem ir na sua casa só pra tomar café. Aquele que me chama de Pequena mesmo depois de tudo, aquele que foi meu travesseiro por algum tempo, aqueles que moram longe agora...

Mas há os que moram perto. Os que me levam pro museu, os que me fazem ir na sua casa e comer batata frita, os que dividem tortinhas do McDonalds comigo ou aqueles que compartilham comigo uma musica porque ela lembra algo só nosso. Há os parceiros fãs de HP, Nárnia, e outros tantos livros. Os que vão na minha lombra de boyband, os que escrevem e me linkam pra eu ler. Aqueles que aceitaram minha ajuda na organização de um novo projeto, aqueles que me deixam ajudarem na fotografia...

E aqueles que foram mais que amigos, amantes, namorados, melhores amigos. A todos vocês esse texto é dedicado. Gostaria de pedir desculpas por ser lerda, ou querer matar alguns de vocês algumas vezes, ou por sempre me atrasar ou enrolar em fazer alguma coisa. Mas gostaria de agradecer pelo fato de mesmo saberem disso continuarem ao meu lado. A vocês o meu eterno obrigado. Eu os amo...

"Because you live, there's a reason whyI carry on when I lose the fightI want to give what you've given me always..."


Ao som de Jesse Mccartney - Because you Live

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Visita


Chegou a Terra da Poesia com os mesmos pés de quem partiu, mas não carregava nada além de alguns trocados no bolso e suas musicas preparadas para levarem a outro mundo. Não sentiu cheiro de café vindo da sua vizinha, a Poesia Furada estava parada como se definhasse com o tempo. Tentou não pensar nisso. Continuou andando. Não olhou pra sua casa que agora era apenas rascunhos de carvão, se não fosse puro carvão mesmo, mas olhou para o ceu cinza. Continuou andando.

O frio a envolveu, então subiu suas calças jeans e apertou um pouco o cinto. Havia emagrecido, mas estava saudavél. Fechou o ziper do moletom de frio e processguiu para um lugar onde pudesse tomar um café. Havia a casa de seus amigos, mas elas estavam tão vazias agora quanto a presença de certas pessoas em sua vida. Continuou andando.

Chegou à estalagem de  Madame Poetry e adentro o espaço conhecido. Poderia subir as escadas e visitar Cavaleiro, mas sabia que ele assim como quase todos seus amigos tinham deixado a Poesia Furada por motivos pessoais. Podia ser viagem, férias ou apenas partiram. Nesse momento não se importava.

- Café, por favor. - Marshmallow falou sentando-se a mesa perto da janela e tirando seu Numerox do bolso do moletom.

- Um cupcake para acompanhar? - falou o atendente a reconhecendo.

- Sem cupcakes. - ela falou séria. - Se tiver um pão de mel eu aceito. Caso não, apenas o café.

Madama Poetry que observou a entrada de Marshmallow fez questão de trazer o café da garota que aceitou a xícara com um sorriso leve e depois voltou sua atenção ao Numerox. Madame Poetry não se levantou, ficou observando.

- Estais tão magra. - ela começou.

- Acredite quando digo que já engordei uns dois quilos, estava mais magra ainda. - Mars falou finalizando aquela página do Numerox, assinando data e seu nome. Quando fechou a revista, Poetry observou que a revista datava de dois anos atrás.

- Terminando coisas inacabadas? - ela perguntou sem medo de ser indelicada.Marshmallow riu antes de responder.

- Não exatamente, achei na minha casa, estava perdido. - ela falou bebendo café.

- Pensei que sua casa tivesse pegado fogo. - ela falou sabendo que isso era mentira, havia sido a propria garota a sua frente que havia tacado fogo na sua casa.

- Ora, como sabes se essa é minha real casa? - Marsh falou dura. Mesmo assim, de alguma forma suas palavras não eram carregadas de mágoa. - Estava na minha casa de origem, onde meus genitores moram. Estava passando um tempo por lá, ainda não voltei...

- Vais voltar algum dia? - a mulher a frente da garota perguntou.

- Tu acreditas que parti? Tu acreditas que queimei minha casa se não tivesse uma necessidade enorme de refazê-la? Estais equivocada Madama Poetry. - Marsh falou tomando seu ultimo gole de café.

- Acredito. Porque é isso que vejo.

- Estais enganada. - a garota falou passando a mão pela cabeça. - Eu poderia apenas reformar minha casa, destruir algumas paredes, construir novas, ampliar o jardim ou pintar tudo de uma cor nova. Mas eu quis começar tudo de novo, fazer o modo mais difícil.

- E porque? Só porque Andarilho roubou sua fofura não é motivo para ficares revoltada assim.
A garota a frente olhou pela janela onde o vento castigava o pé de café mais próximo, mas ele continuava intacto.

- Não tem haver com Andarilho e as besteiras que ele faz ou deixa de fazer para encontrar o que ele acha que é o caminho certo dele. Não tem haver com Cavaleiro ter se machucado com as Sombras, nem com Homem-Cinza ter se matado, ou com Poetisa ainda estar em busca de um amor. Não tem haver com eles, tem haver comigo. Em pegar as rédeas da minha vida e guiá-las para onde eu acho que serei mais feliz.

- Você não era feliz aqui? - a mulher perguntou.

A garota se levantou, guardou o Numerox no bolso do seu moletom, deixou uns trocados para pagar o café na mesa e guardou o pão de mel na mão como se o reservasse para outro dia, ou outra pessoa.

- Me diga apenas... - a mulher implorou. - Porque queimar a casa?

- Para ver se as bases dela continuavam em pé mesmo depois de tudo. - Marsh falou colocando os fones de ouvido e saindo pela porta dos fundos.

Madame Poetry entendeu que assim como naquela Terra que cheirava café tudo era muito mais do que pensavamos. Marsh falava não da base de sua casa, mas da base das suas vidas. Marsh estava vendo quem era seu amigo depois de tudo que ela havia passado...

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